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Truques para Perder 30 Quilos em 10 Meses (parte 1): A Fome é sua Amiga



Você criou coragem e resolveu perder aquele peso extra. Não é tão fácil quanto parece. Você vai ter que enfrentar seus instintos, seus amigos, a indústria alimentícia, a sociedade consumista, e muitos outros. Sim, é mais complicado do que não comer alimentos terminados em “a” às terças-feiras e só se alimentar entre 16h32m e 17h14m nas noites de lua cheia. Existe todo tipo de pressão – orgânica, biológica, social, comercial, industrial – para que você continue comendo. E todo tipo de pressão, quase todas as acima, para que você seja atraente (i.e, hoje em dia, magro). Uma verdadeira esquizofrenia. Mas a epistomologia do emagrecimanto vai ter que ficar para depois. Há duas semanas o blogueiro postou seu revolucionário método que o levou a perder 30 quilos em 10 meses – comer menos e se exercitar mais. Mas isso todo o mundo sabe. O problema é, “como comer menos e me exercitar mais”?

Muitos gurus de emagrecimento e afins costumam usar o termo “reeducação alimentar”. A ideia é boa, mas o blogueiro não curte muito o termo “reeducação”, já que a ideia que insinua é que é preciso obter educação, vindo de alguém. O guru de emagrecimento ou personal trainer, por exemplo. Mas de nada adianta ouvir os conselhos desses gurus, de personal trainers, ou de médicos veteranos e estudados, ou mesmo nutricionistas. Emagrecer é como parar de fumar, de beber, de usar qualquer coisa viciante. Com uma terrível agravante – a síndrome de abstinência e a tentação nunca acabam, já que você pode viver sem álcool, sem tabaco, sem alucinógenos, mas não pode viver sem comida. Antes de ouvir outras pessoas dizendo como comer melhor, a coisa mais fácil é ouvir quem realmente mais entende do assunto.

Primeiro, seu corpo.

O nosso corpo é uma máquina fantástica. Desde que saudável, ele nos avisa quando precisamos dormir, acordar, comer, ir ao banheiro, parar de nos exercitar, quando precisamos de companhia, quando precisamos ficar sós... e quanto nós precisamos comer. O problema é que infelizmente somos seres racionais, e como bons seres racionais, queremos saber mais do que aquela dorzinha no ombro que avisa que você está levantando muito peso na academia (eu arrumei uma tendinite, mas não dói tanto, estou emagrecendo, estou... bem, deixa pra lá), ou aquele enjoo que avisa que já deu de álcool, ou aquela tonteira que avisa que está na hora de dormir... ou mesmo o desligamento da sensação de fome. O problema é que nós recebemos este aviso e continuamos comendo!

Comer nos dá prazer. O paladar nos dá prazer. E temos a tendência de tratar nossa ansiedade com prazeres químicos, sejam drogas, gordura, chocolate, sexo ou qualquer outro estupefaciente natural ou não que nos apareça. Nós sentimos fome e começamos a comer, mas não paramos quando a fome acaba. Como eu descobri nesta dieta e, curiosamente, um amigo meu também de regime veio falar algum tempo depois, nós somos treinados e disciplinados para não só matar a fome como continuar comendo para não sentirmos fome daqui a pouco. Stop. Pare. Não faça mais isso.

Se o leitor já tiver passado de uma certa idade, quase certamente tem alguma dorzinha crônica no corpo. Algum problema de coluna. Uma tendinite crônica em alguma articulação. Um menisco estropiado em algum joelho. Uma artrose no tornozelo. Uma síndrome de túnel carpal no antebraço. Quase todo o mundo tem e atravessa o dia tranquilamente nem lembrando que aquele incômodo existe. Tem gente que um dia toma um analgésico ou antiinflamatório para tratar algum acidente ortopédico e subitamente descobre que há tempos evitava fazer certos movimentos porque vinham acompanhados de desagradáveis sensações. Além disso, estamos também acostumados a trabalhar através do nosso sono e do nosso cansaço.

Para emagrecer, você vai ter que aprender a atravessar os incômodos da fome.

Nada de correr para a geladeira assim que tiver uma pontadinha. Espere ter fome de verdade. E, quando ela realmente bater, não pegue 200 quilos de comida para não sentir esse incômodo nunca mais na vida. Apenas coma o suficiente para a fome passar. Ao primeiro sinal de que seu corpo desligou aquele incômodo, pare de comer. Se aquilo estiver muito delicioso, não ligue. Você pode comer mais depois. Você não está mais com fome, mas fica inquieto sem aquela sensação de plena e total saciedade futurista (já que matou a fome que você ainda vai sentir)? Beba água. Mastigue uma rodela de tomate. Converse com seus amigos sobre os perigosos hormônios presentes no frango. Ou qual o melhore imperador bizantino da dinastia macedônia – Basílio I ou o II, o Matador de Búlgaros?

Aprenda a conviver com sua fome. Você NÃO VAI morrer de fome se não comer agora neste momento. Você não vai morrer de fome, mesmo se estiver perdendo um quilo por semana. E, se estiver perdendo peso de maneira saudável – comendo regularmente, bebendo regularmente, exercitando-se, distribuindo todos os tipos de alimentos nas suas refeições – você vai continuar saudável.

Existem muitos macetes práticos para você conseguir se conter e comer menos do que precisa. Alguns funcionaram para o blogueiro, outros não, outros vão funcionar para você ou seu conhecido, e outros não. Estudos já provaram que existem mais influências no nosso apetite do que imaginamos – desde o óbvio tamanho até mesmo à COR do prato.

Na próxima semana, a postagem vai começar a falar desses macetes práticos todos. Até lá.

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