Esse aí de cima sou eu, com uma amiga, na Cachoeira do Chuveiro, no Jardim Botânica, em dezembro de 2012. A outra foto é o mesmo cara, no mesmo lugar, um ano depois – infelizmente com a mesma sunga, mas isto é assunto para outra postagem. Chocante, não? Certo, nada chocante. Foram 30 quilos que desapareceram na poeira. A contagem era de 106 no meio de dezembro de 2012 e bateu em 76 no início de setembro de 2013. Atualmente estou com 77, mas relaxem, ganhei massa muscular. Boa parte de quem está lendo esse texto provavelmente está querendo saber qual o segredo. Porque este é um mundo que idolatra gente em forma e magros. Numa era em que a comida é farta, em que o Brasil saltou recentemente de um país subnutrido para um com problemas de obesidade, em que o planeta funciona cada vez mais 24 x 7, conseguir manter-se esbelto significa acesso a calorias de boa qualidade e tempo para praticar seus exercícios. O que implica uma boa conta bancária. Sem contar as qualidades morais implícitas, autocontrole, disciplina, equilíbrio emocional... certo, certo, a mensagem mais importante que passa é “vejam minha boa genética, que, aliada à minha conta bancária que me faz dispor de tempo e grana pra pagar por boa alimentação, nutricionistas, personal trainers, academia e afins, me tornou esse modelo de ser humano a ser admirado, invejado e adorado por todo esse povo obeso, numa intensa e freudiana relação de amor e ódio”.
A mensagem, todos sabemos, já foi a oposta. Estar acima do peso – não excessivamente, é claro – significou até há poucas décadas que aquela pessoa é que tinha dinheiro. Dinheiro para ter o que comer, um trabalho que não exigia que dispendesse esforço suficiente para queimar tudo o que consumia, e não sofria de alguma doença crônica ou grave que lhe tirasse o apetite ou destruísse seu sistema digestivo. Num país como o Brasil, até hoje ainda se convive com parte desse imaginário. É a barriguinha masculina que sinaliza prosperidade, é o homem que diz que gosta de mulher com carne, é a mulher que gosta de homens musculosos, porém rotundos (até porque também simboliza um apetite voraz). É como ter um belo bronzeado. Hoje em dia assinala que a criatura queimada de sol tem tempo para passear ao ar livre de dia, antigamente demonstrava que o vivente tinha provavelmente um trabalho braçal ou agrícola, e cool era ser branco, inclusive porque qualquer marca na pele denunciaria alguma doença, acidente, varíola ou afim. O mundo muda, as mensagens do corpo mudam.
Os países industrializados viram essa moda chegar antes. Os espartilhos que o digam. Na belle époque, chegaram a se vender pílulas de lombriga para emagrecer. Isso mesmo. Ovos de lombriga chegaram a ser comercializados como dieta infalível. Sim. Releia essa frase. Pessoas estavam dispostas a fazer de seus intestinos um viveiro de parasitas vorazes a destruir seu organismo para ficarem mais atraentes. Esses idiotas do pré-guerra... er... peraí... uma rápida googlada sobre “roundworm diet” ou “tapeworm diet” vai levar a artigos sobre como as empresas que vendem vermes pela internet estão num negócio ilegal, arriscado e insalubre. Chinesas particularmente parecem ser fãs da coisa.
E por que as pessoas estão dispostas a ingerir parasitas que podem levar até à morte apenas para se conformar a padrões de beleza? Sim, porque, por experiência própria, posso dizer que emagrecer aumenta a disposição, rejuvenesce o organismo, melhora todos os indicadores de saúde, aumenta a confiança, limpa o lixo do corpo... mas mesmo gente com recomendações médicas sérias está mais preocupada em se tornar mais atraente. Sexo continua a ser a maior motivação. E status, afinal conseguir sexo de qualidade é um dos maiores indicadores de status que se pode obter.
Mas emagrecer é difícil. A maioria dos artigos sobre o assunto é extremamente superficial. Ou então um estudo médico que diz que você vai ser sempre gordo mesmo e conforme-se, porque é a genética, a química do cérebro etc. Etc. Diga a verdade, praticamente sempre que você vê duas fotos como as aí de cima tem meia dúzia de linhas em seguida falando como a criatura fez uma reeducação alimentar, entrou para a academia e hoje é bem mais feliz. Já o autor destas linhas pode lhe contar que a coisa não é bem assim. Emagrecer é difícil. Exige firmeza e caráter. Sim, é verdade. A não ser que você engula uma lombriga. Ou faça cirurgia bariátrica, que é vendida hoje em dia como um procedimento relativamente fácil e indolor, mas que também faz um tremendo estrago no seu organismo. Ou faça uma lipoaspiração, que também tem um monte de problemas colaterais. Ou tome hormônios.
Por isto estou abrindo este blogue. Vamos entrar a fundo no assunto de emagrecimento. Dietas. Os estranhos problemas que acarreta, desde inveja a uma autoconfiança fugaz e que se mostra ilusória muitas vezes. Seus relacionamentos mudam. Seus amigos mudam. Seu trabalho muda. Sua vida muda. Se você quer parar de fumar, basta se afastar do cigarro. Você não tem como se afastar da comida. Depois de ser gordo, emagrecer significa viver em síndrome de abstinência pelo resto da vida. Por que se sujeitar a isso? Vale a pena? Por que o mundo nos quer magros – e equilibrados e balanceados no que consumimos - e nos bombardeia desenfreadamente com anúncios para consumir? E acompanhem também minha luta para manter o peso. Estou chegando a 4 anos magro. Como num câncer, você tem que manter o peso durante 5 anos para se considerar que uma dieta funcionou. Conseguirei eu chegar lá? Mantenham a sintonia e divirtam-se – ou sei lá, vai ver que mudo a vida de alguém – com o novo blogue, DIÁRIOS DE UM GORDO EM REMISSÃO.

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