Que eu emagreci, vocês
já viram. Fica agora a pergunta: como esse sujeito de meia-idade...
não... como esse sujeito bem
de meia-idade conseguiu perder 30 quilos em menos de 10 meses? Todo o
mundo sabe que fica cada vez mais difícil perder peso com a idade.
Aliás, qualquer coisa fica cada vez mais difícil com a idade.
Imagine então emagrecer. E com uma velocidade que jovens obesos na
casa dos 20 anos teriam dificuldades em conseguir. A qualquer momento
essa criatura das fotos acima irá começar a discorrer sobre reações
químicas e termogênicas, leis de conservação de energia,
medicamentos modificadores de DNA, alimentos específicos e lendários
que crescem somente no alto do Pico da Neblina em noites de lua cheia
quando sopra o El Niño... mas dizendo ao final que ele pode
simplificar tudo isso para o leitor enviando-lhe pelo correio um kit
preparado que irá fazê-lo perder peso mais rápido do que um gordo
deprimido pode ganhar, ou um manual listando o passo-a-passo...
Não.
Nada
disso.
O
estranho, esotérico e obscuro método que eu usei para perder 30
quilos foi aquele que vovó já dizia: comer menos.
Só
isso: comer menos. E praticar exercícios, é claro.
Uma
conta simples, que quando todo o mundo me perguntava, eu explicava: ora, se
você comer menos do que gastar, você VAI emagrecer.
Mas
certamente eu apelei para comidas menos calóricas, certo? Bem, eu já
estava acostumado a alimentação saudável havia anos. As pessoas
até estranhavam que eu fosse tão gordo comendo arroz integral,
aveia e salada. Gente, vocês têm ideia de quantas calorias tem no
arroz integral e na aveia? E no queijo minas? E no azeite, com o qual
eu regava (e rego ainda mais hoje) a folhagem? E aqueles croutons pra
ficar tudo crocante... e comer tudo isso em excesso vai fazer você
engordar. Não adianta se entupir de feijão azuki e arroz cateto na
esperança de que as fibras irão fazê-lo evacuar mais e o processo
de digestão fará as calorias desaparecerem...
Não.
O
que interessa é ingerir menos do que se gasta. Para se ter uma
ideia, este artigo (em inglês) conta a história de um professor de Nutrição que perdeu 27 libras (o equivalente a uns 12 quilos) em dois meses alimentando-se basicamente de bolinhos de chocolate com Doritos.
Mas
uma dieta dessas certamente deve ter destruído a saúde dele, certo?
Provavelmente ele emagreceu porque suas artérias entupidas não
mais conseguiam levar as calorias ao seu centro de processamento ou
algo parecido, não?
Não.
O
colesterol ruim do professor Haub caiu 20 por cento em dois meses. O
colesterol bom dele subiu os mesmos 20 por cento. Seu nível de
triglicerídeos caiu quase 40 por cento.
E
sabe por quê?
Porque
estar acima do peso faz muito mais mal ao organismo do que o que você
come. Quase todos nós neglicenciamos legumes e verduras na
alimetação, mas se não cairmos de boca em excesso de frituras e
comida processada – esta última não é no Brasil o hábito que é
lá fora – vamos comer bem o suficiente para não ficarmos doentes.
O velho prato feito com arroz, feijão, bife e salada é equilibrado
e saudável.
Mas
então certamente eu parei de comer à noite ou...
Não.
Não
interessa essa história de comer antes ou depois das 7 da noite, das
8 ou das 10. Você pode arrumar uma indigestão comendo muito à
noite e indo dormir de barriga cheia, mas em termos de emagrecimento,
a diferença que faz é nenhuma. Se você ingerir menos do que
consome, vai emagrecer de qualquer jeito.
Então
eu devo ter feito uma reeducação alimentar? De certa forma, sim. No
final dos anos 80, quando eu estava na casa dos 20 anos, cheguei à
conclusão que para me sentir bem, eu precisava comer muito. Encher a
boca. Eu sempre tive e tenho até hoje a mania de comer muito rápido
(embora aquela história que você tenha que mastigar a comida 200
vezes antes de engolir seja lenda, comer muito rápido realmente
dificulta a digestão). Então resolvi que iria comer apenas uma vez
por dia, com direito a repetição. E funcionou. Emagreci e mantive o
peso por cerca de 10 anos. O problema é que, com o tempo (e a idade)
uma beliscada ou outra que eu dava fora da única refeição foram
aumentando. Também, quando parei de fumar, perdi a distração para
o estômago e a boca que eu tinha (e passei a comer quando entediado,
em vez de acender um cigarro). Então, ao longo de 12 anos ganhei
mais de 20 quilos, estava fazendo várias refeições ao dia e
comendo um absurdo à noite, porque era o “único” prato que eu
consumia.
Então,
desta vez, para perder 30 quilos, fiz o contrário. Passei a fazer 3
ou 4 refeições minúsculas por dia. Esta foi a minha reeducação
alimentar. O que é um termo relativo, já que, da outra vez,
eu me reeducara alimentarmente para conseguir o nível de prazer que
eu tinha comendo muito, fazendo-o somente uma vez por dia. Desta vez me reeduquei para ter apenas pequenos prazeres ao longo do dia.
Talvez tenha sido a idade e a sabedoria que vem com ela, quando nos
descobrimos mortais, ou que percebemos que não conseguimos mais
fazer tudo que conseguíamos (o que, na verdade, o blogueiro
descobriu, é mais consequência de ganhar peso do que anos, mas isto
é assunto para outra postagem). Se na dieta bem-sucedida anterior
que fiz, a graça era estimular a fome até matá-la com uma
quantidade alarmante de alimentos (como naqueles velhos comercias de
Teen – sim, esta é uma referência só para maiores de 40 anos),
desta vez a graça era manter a fome em níveis suportáveis e comer
só até esse pequeno incômodo sumir. Nada de continuar comendo para
matar a fome que você vai sentir daqui a duas horas (e sim, você
vai estar SEMPRE com um pouquinho de fome).
E
exercícios, é claro. Mas isto também é assunto para (muitas)
outra(s) postagem(s).
Então,
resumindo, o segredo da boa dieta é simples: comer pouco.
O que é um problema também de auto-reconhecimento. Quando eu contei
recentemente no trabalho sobre o professor que emagreceu comendo
bolinhos de chocolate, as pessoas com problemas de peso ficaram
revoltadas. A princípio negaram a veracidade, até eu mostrar o
artigo da CNN. Então disdseram que ele não era uma fonte confiável. Aí eu mostrei que ele é professor de nutrição. Então argumentaram que o que funciona para ele
não funciona para qualquer um porque cada organismo é um organismo
– o que é muito engraçado de ouvir de gente que segue dietas
prontas feitas por outras pessoas.
Para
emagrecer, você precisa apenas comer menos do que consome. O segredo
talvez esteja em como conseguir isto. E eu vou contar mais sobre como
consegui na próxima postagem. Embora como conseguir dependa, isto
sim, de cada pessoa. Cada caso é diferente. Às vezes muda até com
a pessoa. Eu já perdi dezenas de quilos comendo só uma vez por dia
e outras dezenas fazendo pequenas refeições várias vezes ao dia. O
método para comer menos tem que se adequar a você, suas condições
emocionais, psicológicas e até mesmo à sua fé. Até a próxima
postagem.
Fechar a boca requer disciplina... E força de vontade!
ResponderExcluirAguardando o próximo artigo!
ResponderExcluirParabéns! Só quem vive lutando com o metabolismo sabe o que é. Todo mundo te olha e acha que vc bate um prato de peão, mas não vê o kit de marmitas na mochila. Sucesso!
ResponderExcluirEssa disciplina é o mais difícil! Não sucumbir as vontades de beliscar e comer mais do que precisamos...
ResponderExcluirSimples assim! Muito bom.
ResponderExcluirDemais Luiz! Tanto as dicas quanto o texto! Super bacana!
ResponderExcluirAmei! Quero saber tudo sobre a sua saga exemplar. Ando precisando de inspiração :-))
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